25/09/2026
NBR 15575 e desempenho térmico: como atender coberturas e paredes com isolamento
Desde que a ABNT NBR 15575 entrou em vigor, desempenho térmico deixou de ser diferencial e virou requisito para edificações habitacionais. Para a construtora, isso significa responder em projeto — e às vezes em perícia — se paredes e coberturas entregam o conforto que a norma exige. Este guia explica a lógica da avaliação, mostra como calcular a transmitância térmica e quanto cada solução de isolamento muda o resultado.
Resumo em 30 segundos
- Onde está na norma: requisitos gerais na Parte 1, vedações verticais na Parte 4 e coberturas na Parte 5.
- Dois caminhos de avaliação: procedimento simplificado (verifica propriedades de paredes e coberturas) ou simulação computacional do edifício.
- Propriedades-chave: transmitância térmica (U), capacidade térmica (CT) e absortância solar (α) da superfície externa.
- Onde o isolante mais ajuda: na cobertura. Uma telha metálica simples tem U perto de 4,8 W/m²K; com 30 mm de PIR cai para cerca de 0,7.
- Cuidado: limites numéricos dependem da zona bioclimática e da edição vigente da norma. Confirme com o projetista.
Como a norma avalia o desempenho térmico
A NBR 15575 avalia o comportamento da edificação como um todo, mas na prática o projeto é resolvido em dois níveis. No procedimento simplificado, verificam-se as propriedades térmicas de paredes e coberturas contra limites que variam conforme a zona bioclimática definida pela ABNT NBR 15220-3 — Campinas, por exemplo, fica na zona 3. Quando o sistema não atende ao simplificado, ou quando se quer demonstrar desempenho de forma mais precisa, parte-se para a simulação computacional do edifício.
A revisão de 2021 alterou o método de avaliação térmica, e os valores-limite mudam com a zona e com a cor da superfície externa. Por isso, este artigo não substitui a leitura da edição vigente: ele mostra como as propriedades são calculadas e quanto o isolante contribui — que é o que a construtora precisa para escolher o sistema certo antes de chegar ao projetista.
As três propriedades que decidem o resultado
Transmitância térmica (U, em W/m²K). Quanto calor atravessa um metro quadrado do elemento para cada grau de diferença entre dentro e fora. Quanto menor, melhor. É aqui que o isolante atua diretamente.
Capacidade térmica (CT, em kJ/m²K). Quanto calor o elemento armazena. Paredes pesadas amortecem os picos de temperatura; sistemas leves, como painéis sanduíche, têm CT baixa e podem precisar de simulação para comprovar desempenho em paredes.
Absortância solar (α). Fração da radiação solar absorvida pela superfície externa. Telhas e fachadas claras absorvem menos, e a norma torna os limites de U mais exigentes para superfícies escuras.
Como calcular a transmitância (U)
O método de cálculo está na ABNT NBR 15220-2. Para um elemento em camadas homogêneas:
R de cada camada = espessura (m) ÷ condutividade λ (W/m·K)
RT = Rsi + soma dos R das camadas + Rse
U = 1 ÷ RT
As resistências superficiais usuais são Rse = 0,04 m²K/W e Rsi = 0,13 m²K/W para paredes (fluxo horizontal) ou 0,17 m²K/W para coberturas no verão (fluxo descendente). Câmaras de ar entre telha e forro somam resistência própria, tabelada na mesma norma.
Exemplos de cobertura: quanto o isolante muda o U
Cálculos simplificados, sem câmara de ar e sem forro, fluxo descendente (verão). Servem para comparar soluções — o valor de projeto deve considerar a composição completa.
| Composição | R do isolante | U aproximado |
|---|---|---|
| Telha metálica simples | – | ≈ 4,8 W/m²K |
| Telha sanduíche com 30 mm de PIR (λ ≈ 0,023) | ≈ 1,30 m²K/W | ≈ 0,66 W/m²K |
| Telha sanduíche com 50 mm de PIR | ≈ 2,17 m²K/W | ≈ 0,42 W/m²K |
| Laje maciça de concreto 10 cm (λ ≈ 1,75) | – | ≈ 3,7 W/m²K |
| Mesma laje + 50 mm de EPS (λ ≈ 0,037) | ≈ 1,35 m²K/W | ≈ 0,62 W/m²K |
A leitura da tabela é direta: a camada isolante responde por quase toda a resistência térmica do conjunto. Poucos centímetros de EPS, PIR ou lã mineral reduzem o U em cinco a dez vezes — algo que nenhuma variação de espessura de concreto ou de telha consegue.
E as paredes?
Em alvenaria convencional, a parede costuma ser resolvida pela própria massa: blocos cerâmicos rebocados têm U da ordem de 2,5 W/m²K e capacidade térmica elevada. O isolamento de parede entra com força em três situações: fachadas de cor escura, que enfrentam limites de U mais rigorosos; sistemas leves, que têm pouca massa; e climas mais frios, onde a perda de calor pesa.
Um exemplo de sistema industrializado: no painel monolítico de EPS com 80 mm de núcleo e 35 mm de argamassa por face, o cálculo teórico chega a U ≈ 0,45 W/m²K. O valor real é maior por causa das pontes térmicas dos conectores de aço, mas a ordem de grandeza mostra a vantagem térmica do sistema. Veja o guia do painel monolítico.
O que pedir ao fornecedor de isolamento
- Condutividade térmica (λ) declarada, com o método de ensaio — para EPS, ABNT NBR 12094.
- Espessura real entregue e tolerância. O cálculo só vale se a espessura em obra for a do projeto.
- Densidade e tipo do material, para cruzar com a resistência mecânica exigida.
- Reação ao fogo e enquadramento na IT nº 10 do Corpo de Bombeiros (controle de materiais de acabamento e revestimento).
- Cor e absortância da face externa, no caso de telhas e painéis.
Perguntas frequentes
A NBR 15575 é obrigatória? Ela se aplica a edificações habitacionais e é a referência técnica usada em projetos, financiamentos e perícias. Na prática, a construtora precisa demonstrar atendimento aos requisitos de desempenho.
Qual a zona bioclimática de Campinas? Pela ABNT NBR 15220-3, Campinas está na zona bioclimática 3. Confirme a zona de cada município na norma antes do cálculo.
Telha sanduíche atende a NBR 15575? Pela transmitância, com folga: 30 mm de PIR já levam o U da cobertura para perto de 0,7 W/m²K. A verificação completa considera também absortância e a composição do conjunto.
Aumentar a densidade do EPS melhora o isolamento? Muito pouco. O que reduz o U é a espessura. A densidade deve ser escolhida pela carga que o material recebe.
Manta aluminizada entra no cálculo? A face aluminizada reduz a troca por radiação e melhora a resistência de câmaras de ar adjacentes, que a NBR 15220-2 trata em tabela própria. A espessura isolante da manta também soma R.
Soluções para coberturas e paredes
- Isotelha® Trapezoidal — telha sanduíche com núcleo em PIR de 20 a 100 mm.
- TermoLaje EPS — isolamento sobre a impermeabilização de lajes expostas.
- Placas de EPS — na espessura e densidade do cálculo.
- XPS — para coberturas invertidas e áreas úmidas.
- Lã de rocha e lã de vidro — para forros e sistemas leves.
Leia também
- Telha sanduíche para galpão — como especificar modelo, espessura e inclinação.
- Comparativo de isolantes térmicos — EPS, XPS, PIR e lãs minerais.
- Laje com isopor (EPS) — segurança, vantagens e reboco.
Fale com a Isolamax
Mande a composição de cobertura ou parede do seu projeto: indicamos o isolante, a espessura e enviamos as fichas técnicas com condutividade e reação ao fogo para o memorial. A Isolamax fica em Campinas/SP e atende construtoras em todo o Brasil. Solicite seu orçamento ou chame no WhatsApp (19) 3276-3660.
